Amigos, é chocante.
Estou lendo o tão comentado livro A Privataria Tucana, do
jornalista Amaury Ribeiro Jr. Já vi algumas coisas impressionantes na história
do Brasil em relação a corrupção e roubo de dinheiro público, mas confesso que foquei chocado com a
maneira como foram feitas as privatizações das estatais no país.
Foi descarado. Foi um genocídio de dinheiro público, se me
permitem a expressão.
Observem como são as coisas: Em 1998, o presidente FHC pegou
o sistema de telefonia inteiro do Brasil, a Telebrás, e privatizou pela
bagatela de R$ 22 bilhões. Inacreditavelmente, dois anos antes, a União
investira R$ 21 bilhões em modernização da estatal (sic).
Como se não bastasse, dos R$ 8 bilhões de entrada que
qualquer grupo interessado na compra teria que desembolsar , o BNDES financiou
R$ 4 bilhões. Para o restante da dívida, o BNDES financiou a aquisição das
chamadas “moedas podres”, títulos públicos adquiridos pela metade do que
valiam.
Não poderia existir negócio pior para o sistema de telefonia do país. Por isto que hoje as empresas fazem o que querem com o consumidor.
Outro exemplo, na privatização da Companhia Siderúrgica
Nacional, a famosa CSN, maior siderúrgica da América Latina, construída por
Getúlio Vargas em troca do apoio aos EUA na 2ª Guerra. A empresa foi vendida
por R$ 1,05 bilhão. Destes, R$ 1 bilhão foi pago pelos compradores em moedas
podres. Essas moedas podres foram leiloadas pelo BNDES, com prazo de 12 anos
para pagá-las.
Em outras palavras, o governo aceitou títulos que não
representavam o valor real e ainda emprestou dinheiro para quem quisesse lhe
comprar esses títulos, com carência de 12 para pagar.
É mole?
Depois de ter vendido a Vale, Embraer, Usiminas, Copesul,
CSN, Light, Acesita e as ferrovias, o governo de Fernando Henrique Cardoso
afirmava ter arrecadado R$ 85,2 bilhões com as privatizações. Só que, pasmem, para
vender as estatais, o governo gastou R$ 87,6 bilhões. A conta é do livro O
Brasil Privatizado e leva em consideração as vendas a prazo com dinheiro já
contabilizado, mas fora dos cofres públicos; dívidas absorvidas; juros de 15%
sobre dívidas assumidas; investimentos nas estatais antes do leilão; juros
sobre tais investimentos; uso de moedas podres e mais R$ 1,7 bilhão deixado nos
cofres das estatais.
Vale a pena a leitura do livro. Não sou petista, nem anti-tucano. Sou jornalista. Como material jornalístico, é uma excelente leitura de como nosso país é marcado geneticamente por ladrões, por assaltantes de dinheiro público.
Lamentável e triste.
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