domingo, 1 de janeiro de 2012

Um palmense em São Paulo

Do dia 28 ao dia 31 de dezembro, visitei, junto com minha esposa, a capital paulista. Já tinha estado lá, mas rapidamente, em 2008. Desta vez, fomos fazer turismo. Visitei vários lugares históricos, museus, ruas e esquinas que são história na cultura paulista e também brasileira. 

O primeiro lugar que fomos foi ao Mercado Municipal, comer o tradicional sanduíche de pão com mortadela, no Hocca Bar. Quando chegamos no local, minha primeira impressão foi a de uma indústria com sua capacidade instalada máxima. Um formigueiro de gente, todos também em busca de comer no local. Para se sentar, foi preciso ficar ao lado de uma mesa ocupada, esperando a pessoa terminar para, rapidamente, sentar. Para comprar o pedido, a fila fazia uma volta em torno do bar. Enfim, em véspera de ano novo, com a maioria dos paulistanos fora, saí com a idéia de que, em 2014, aquilo ali vai pifar. Mas estrutura à parte, o sanduíche é delicioso, um exagero de mortadela Ceratti. Comi ainda (quase "empurrando") um pastel de carne seca com catupiry, também muito gostoso. 

Além do sanduíche, o mercadão de São Paulo tem um universo de frutas, muitas eu nunca tinha visto,  carnes, salames, temperos e muitos, muitos tipos de queijo. Você passa tranquilo um dia inteiro só lá.

Vou revelar uma matutice que me acometeu: em frente ao mercadão, deparo-me no trânsito com um Corolla, com placas de Palmas-TO. Num rompante de caboquice, acenei e cumprimentei as duas pessoas dentro do carro, falando que eu também era de lá. Os passageiros retribuíram meu cumprimento. Meus acompanhantes riram de mim. Depois é que fui me dar conta que tem um monte de gente que manda emplacar o carro no Tocantins, por conta do IPVA mais barato. Mico total. rssss

Rodando
Ficamos num hotel na avenida São Luís, no centro de São Paulo, próximo aos famosos edíficios Itália, e Copan (aquele que sempre aparece nas novelas, projetado por Oscar Niemeyer, que é uma espécie de S). Andar no centro de São Paulo não é difícil. Com um mapa simples, atenção e observando as sinalizações, você vai a qualquer lugar por lá. Foi desse jeito que eu e Isis vistamos o Theatro Municipal, o viaduto do Chá, Vale do Anhangabaú, a rua Líbero Badaró, o edifício do Banespa, o Mosteiro de São Bento, a Rua 25 de Março e muitos outros locais que valem a pena a visita. 

No centro, o que me chamou atenção foi o imenso número de chineses. Eles dominam a 25 de Março e todas as adjacências! Há mercados com produtos só para chineses, encontrei até um jornal em mandarim, distribuído gratuitamente na Rua José Paulino. Outra coisa interessante na Paulino, rua conhecida pelas lojas de roupas, que fiquei sabendo é o número imenso de imigrantes ilegais, a maioria bolivianos e peruanos, que trabalham em regime de quase escravidão nas confecções, que ficam no andar de cima das lojas.

Museus
Ah, os museus. Como são muitos, diversificados, dedicados às milhares de manifestações artísticas da mente humana. Uma pena que não houve tempo visitá-los todos. Na nossa exígua passagem, visitamos o Museu da Língua Portuguesa. 

Próximo a este museu tem uma avenida chamada Prestes Maia, que tem um prédio imenso, de mais de vinte andares, que foi invadido por moradores sem teto. Há muitas pichações também nas paredes da maioria dos prédios do centro de São Paulo, o que dá um ar de decadência.


O museu da Língua Portuguesa fica na estação ferroviária da Luz, que é um espetáculo à parte, toda de metal. O museu estava com uma exposição sobre a vida e a obra do escritor Oswald de Andrade, um pândego, que tirou onda de tudo e todos. Gostei muito. Oswald marcou a história da arte brasileira não somente porque participou da Semana de Arte Moderna de 1922, mas porque era um homem de personalidade, de opinião, de várias mulheres e que não tinha receio de esculachar o Brasil e a burguesia pedante (da qual ele fazia parte).

"A situação 'revolucionária' desta bosta mental sul-americana apreesentava-se assim: o contrário do burguês não era o proletário - era o boêmio! As massas, ignoradas no território e como hoje, sob a completa devassidão econômica dos políticos e dos ricos. Os intelectuais brincando de roda." Esta foi uma amostra grátis que reitrei das pérolas de Oswald.

A história da nossa língua também é muito divertida e interativa. Aprende-se fácil desde as origens da língua, na região indo-européia, passando pelo latim vulgar, pela consolidação do português até os dias de hoje. Na linha do tempo da história da língua, entre as várias fotos, há esta aí, da Escola José Coriolano, em Ouricuri. 

Um detalhe: na mesma hora que entramos nos museu, entrou também o jornalista Fernando Rocha, aquele que apresenta o programa Bem Estar, da Globo. É óbvio dizer que não fui cumprimentá-lo. Muita matutice.






A Pinacoteca foi outro museu que visitamos. Um prédio belíssimo, inaugurado em 1905 pelo arquiteto Ramos de Azevedo, e abrigou o Liceu de Artes e Ofícios. É o mais antigo museu de São Paulo. Um acervo impressionante, várias exposições ao mesmo tempo. Interatividade. Cara, mulher, moço, dona, só indo lá e conferindo. Um banho de cultura.





Reencontro

 








 Em São Paulo, reencontei um amigo de infância, que não via há 15 anos. Humberto veio nos encontrar no hotel e nos proporcionou horas de agradável conversa e passeios interessantes. Um deles foi o chopp que tomamos no Bar Brahma, considerado o mais antigo da cidade de São Paulo, que fica na famosa esquina da Avenida Ipiranga com a Avenida São João, imortalizada por Caetano Veloso. 

Visitamos também, junto com ele, a Avenida Paulista, que tinha uma linda decoração natalina. Lá também visitei a maior Livraria Cultura que já vi, no Conjunto Nacional. São várias livrarias cultura, uma ao lado e em cima da outra. Um dia é pouco para se perder naquele universo de livros, de cultura. 


O resumo que faço deste périplo pela capital paulista é: uma pena o tempo ter sido contra nós. 








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